segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Operários

Só se consegue liberdade depois que se chega ao fundo.
Estar no fundo significa não ter nada a perder.
Novas situações, novas oportunidades.
Sem grandes esperanças.
No caso de perda, a dor será bem menor.

Vendo assim, percebe-se que é tão fácil cair nas garras daquilo que nos cerca...
Ambição, nos leva ao esquecimento de valores.
Valores que imaginamos que todo ser humano deveria ter.
Amizade.
Amor pelo próximo.
Etc. Etc.
Blá blá blá.
Mas quando observo de longe, todos costumam desprezar-se entre si.
Desprezo daquele que está um degrau acima.
Desprezo daquele que está um degrau abaixo.
Não há valor algum...

Costumamos ter dias cheios.
Cheios de pessoas que talvez odiamos.
Cheios de vontade de mudança.
Cheios do trabalho que, muitas vezes, é desgastante.
Cheios disso tudo.

E quando enfim, em casa, nos deparamos com os frutos do nosso trabalho.
Vemos todo o nosso suor, empoçado em único lugar.

Agora, só queremos relaxar.

Jogados em seus sofás, encaram o seu cotidiano refletido numa tela.
"Deslizamentos de terra que destroem lares, rebeliões em presídios superlotados, famílias devastadas por guerras, desastres naturais... "
Tudo isso nos faz achar que está tudo bem.
É confortante assistir ao telejornal e ver pessoas pelo mundo.
Pessoas, as vezes, tão fodidas quanto a gente.
Faz-nos sentir privilegiados por não ser o exemplo que ataca as quentes caixas de plástico.

Todos esses fatos, em contraste com uma história bonita, onde a moça pobre se apaixona pelo rapaz rico. Como esperado, o final sempre é feliz.
O que completa a noite de felicidade, bem estar, e também o dia de cada um dos que enfrentam essa rotina. E faz 85% da população achar que vai estar sempre tudo bem, nos dá a ilusão que o nosso fim será feliz, também.

Já cansados, agora todos se dirigem à suas devidas camas, onde vão sonhar com o final feliz de amanhã...
E o próximo, e o próximo...

"Minhas sinceras desculpas à você, e às suas 42 polegadas de mentiras."

domingo, 17 de outubro de 2010

Reflexos

Ultimamente tenho aberto meus olhos.
Tenho prestado atenção em tudo que se passa ao meu redor. Acabei por perceber que a maioria só consegue ver a si mesmo quando está de olhos abertos.

Então resolvi fechá-los...
E com isso, a enxerguei.
Os traços que talvez me faltavam e as palavras que têm alegrado minhas tardes nos últimos dias.

No fim, abri os olhos novamente, para perceber que escrever só para mim, é perda de tempo.
E descobri que se parasse para escrever todas aquelas vezes que tive vontade, todas aquelas palavras seriam para você.

Talvez eu leve um bom tempo para escrever novamente, deixarei as águas seguirem seu curso. Deixarei também, meus olhos bem abertos para que cada detalhe que envolva a mim e a todos que estão a minha volta, também não seja perdido.

*post provisório, logo o atualizarei. Só queria compartilhar isso com alguém, por enquanto.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Essa é a cara da nossa política

"Reprojetem os estádios!
Reforcem a segurança!
Quero que os ginásios estejam perfeitos!
Estamos prestes a nos tornarmos os maiores ignorantes de 2014 e 2016.

Que se danem os mendigos que não tem proteção nem alimento.
Quero ver o dinheiro dos estrangeiros que virão.
Quero ver os estrangeiros lotando nossas ruas, esgotando nossos recursos, tomando uma realidade que não é nossa.

Quero que aquele que rouba para se alimentar, tenha sua estadia garantida na prisão.
E que aquele político que faz de nossos impostos, renda para sua família, transite para lá e para cá, com seu carro que vale mais que nosso próprio lar e vestes que encheriam o prato de muitos dos necessitados."

Vivemos num país onde, por 90 minutos, uma bola vale mais que nossas necessidades.
Sente mesmo, orgulho de ser brasileiro? Já se conformou com isso tudo?